Maringá - PR, segunda-feira, 3 de Outubro de 2022





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HISTÓRICO / DIAGNÓSTICO DO CURSO

             Por ser um curso em fase de consolidação na Universidade Estadual de Maringá, a comissão encarregada de viabilizar a implantação optou por construir uma breve análise de alguns cursos de Secretariado Executivo Trilíngüe. Antes, porém, teceu o percurso pelo qual trilhou a profissão de secretária.

Nas décadas de 50 e 60 do século XX, o perfil da secretária[1] no Brasil caracteriza-se por ser vista como mera servente, limitando-se a executar as técnicas secretariais básicas, como datilografia, taquigrafia, arquivo, anotação em agenda e, em raríssimos casos, redação. O treinamento da secretária, nessa época, limita-se aos assuntos acima descritos. Na década de 70, a secretária ganha certo status com o aumento da complexidade das organizações empresariais e passa a ser um membro de assessoria gerencial. O que caracteriza essa década é a expressão: cada chefe tem a sua secretária. Ela passa a dirigir a rotina da empresa, sem interferência na gerência. Assume novos papéis, participando de reuniões (para redigir atas). Isso significa que passa a haver o domínio da redação. Supervisiona agora o trabalho de equipes de apoio administrativo e, portanto, começa a ter papel de destaque na administração do tempo do gerente. O treinamento da secretária passa a abranger o seu comportamento, o relacionamento interpessoal, a administração do tempo e os princípios fundamentais de gerência.

Nas décadas de 80 e 90, a secretária passa a executar o papel de gerente. Os tempos agora exigem um desempenho polivalente, com atuação dinâmica envolvendo planos de ação. Isto significa que a secretária‚ um dos mais eficientes canais de comunicação dentro das organizações, exerce papel de ajustamento intersetores. Suas funções são de gerenciamento e assessoramento com poder decisório. O trabalho agora é de equipe, de time; o velho esquema de cada chefe ter sua secretária foi abolido. O conceito vigente na atualidade é a pessoa que assessora o executivo, transmite-lhe informações e executa as tarefas que lhe são confiadas, como: organização do setor, classificação de documentos, estenografia, datilografia, arquivamento de dados, emissão de planilhas, redação de documentos e anúncios publicitários e, sobretudo, ela guarda segredos. Hoje se espera da secretária criatividade na execução das tarefas, bem como capacidade para dar assistência ao executivo e ao time que a ela se reporta. A secretária é a ponte entre aqueles que  tomam decisões em nível gerencial e aqueles que as executarão. Ela não lida somente com coisas, mas sobretudo com pessoas. A secretária executiva executa suas tarefas a partir de iniciativa pessoal, ao contrário da secretária júnior que recebe ordens, pois necessita de direção e tem criatividade limitada por falta de conhecimento das tarefas. O treinamento da secretária agora exige direcionamento e segmentação de atividades múltiplas em que qualidade e criatividade são os conceitos básicos e também a mola propulsora de toda atividade que ela desenvolve na empresa. Assim, ela passa a ter uma formação de nível superior com plano de carreira mais definido e profissão regulamentada.

Considerando a nova exigência do mercado, alguns cursos de Secretariado Executivo foram criados como uma especialização dos cursos de Letras, já que o domínio da língua (nacional e estrangeira) era a necessidade principal, ou como uma extensão de cursos de Administração. Esses cursos concebidos dentro dos Departamentos de Letras ou de Administração ganharam autonomia e muitos hoje constituem-se em departamentos e/ou cursos autônomos.

Na década de 80 são criados os cursos de Secretariado Executivo e Secretariado Executivo Bilíngüe no País, embora já houvesse cursos de  Secretariado oferecidos pelo SENAC - Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial.

As instituições que as criaram estão em vários pontos do país, a saber: Universidade do Sagrado Coração - Bauru (SP), Universidade do Vale do Rio dos Sinos - São Leopoldo (RS),Universidade Estácio de Sá - Rio de Janeiro (RJ), Faculdade Integrada Hebraico Renascença - São Paulo (SP), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (SP), Pontifícia Universidade Católica do Paraná  - Curitiba (PR) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul -  Porto Alegre (RS), Universidade para Executivos - Natal (RS), Faculdades Integradas Tiradentes - Aracajú (SE), UNIOESTE - Toledo (PR) e UEL - Londrina (PR).

Com a aprovação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e a desregulamentação da educação superior, facilitando a abertura de novas instituições de ensino e cursos de graduação, os cursos de Secretariado Executivo foram significativamente ampliados em todo o País. Hoje são ofertados 149 cursos de graduação em Secretariado[2]. Também, com a nova LDB, novas modalidades de cursos foram introduzidas na educação superior, como é o caso dos cursos Seqüenciais e cursos de Tecnologia, permitindo a oferta de cursos com denominações diversas, como é o caso do curso de Tecnologia em Secretariado, ofertado pela Universidade do Oeste de Santa Catarina – Unoesc/SC e Centro Federal de Educação Tecnológica do Piauí - PI. Também o curso de Automação de Escritório e Secretariado, ofertado pela Universidade Santa Cruz do Sul – RS e Universidade do Vale do Itajaí – SC.

Considerando a inexistência de currículo mínimo fixado pelo Ministério da Educação, à época da implantação do curso na Universidade Estadual de Maringá, foi efetuada uma rápida análise dos currículos de alguns desses cursos ofertados, revelando a linha da proposta pedagógica das instituições a que pertencem. As duas Universidades Católicas (PR e SP), em suas propostas curriculares, contemplam as questões sociais, filosóficas e teológicas do homem contemporâneo. As do nordeste do Brasil (RN e SE) contemplam as Relações Públicas nas empresas. A Universidade Estadual de Londrina (PR) contempla as Regras Protocolares com a disciplina Cerimonial e as Técnicas Audiovisuais com a disciplina Técnicas de Recursos Audiovisuais. A Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste/Toledo (PR) contempla as disciplinas de Metodologia da Pesquisa e Monografia, seguindo a linha de cursos acadêmicos voltados para a pesquisa. Além dessas questões, a análise dos currículos revela, também, uma carga horária saturada com disciplinas de formação geral alocadas nos primeiros anos dos cursos. É justamente isso que não pode ocorrer com um curso de Secretariado Executivo  Bilíngüe ou Trilíngüe, pois, conforme pesquisa realizada pela PUC-PR e Unioeste, cujos resultados subsidiam a reformulação desses cursos para 1993 e 1994, o aluno do curso de Secretariado Executivo Bilíngüe ou Trilíngüe tem perspectivas imediatas de trabalho. Tendo em vista esse quadro e o perfil profissiográfico para a região, item exigido pelo MEC, o grupo de trabalho nomeado para viabilizar estudos para a implantação do curso de Secretariado Executivo na Universidade Estadual de Maringá optou por uma proposta mais sintética que atenda o mercado de trabalho, contribuindo para a formação de novos profissionais.

Hoje, o colegiado do Curso de Secretariado Executivo Trilíngüe da UEM nomeou uma comissão para reestruturação do Projeto Pedagógico do curso, em função das novas diretrizes curriculares e das indicações do Conselho Estadual de Educação (CEE) e do Governo do Estado do Paraná que, por meio do Decreto nº 3108 de 2/6/04, publicado do Diário Oficial nº 6742 de 2/6/04, reconheceu o curso ofertado pela UEM nas Habilitações Português/Inglês/Francês, Português/Francês/Espanhol e Português/Inglês/Espanhol com 40 vagas anuais e 2.660 horas/aula.


[1] * OBS: Considerando que a profissão foi historicamente exercida por mulheres, o  grupo  de trabalho optou por manter o termo no feminino nesta retrospectiva histórica.

[2] Consulta realizada em 11 de março de 2003 por jcgomes, em http://www.educacaosuperior.inep.gov.br/


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